segunda-feira, 14 de julho de 2014

Roosvelt Bala, O Coração de Metal


Qualquer um que goste, um pouquinho que seja, de Heavy Metal sabe, que o Stress, banda oriunda de Belém, no Pará, foi quem gravou o primeiro disco de Heavy Metal deste País, ponto final! Não! Ponto final nada! A banda ainda existe está ativa e leva a bandeira do Heavy Metal em seus shows, discos e acima de tudo, no seu estilo de vida. Conversamos com Roosvelt Bala, baixista e vocalista deste "nosso" verdadeiro patrimônio metálico que trouxe a luz alguns aspectos do passado, do presente e do futuro do Stress. Confira a seguir.

Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Roosvelt Bala: Desde cedo eu já era aficionado por música, segurava a vassoure e batia cabeça, aos 3 anos de idade, ouvindo Brazilian Beatles na rádio...
Comecei a comprar vinis aos 9 anos, os primeiros foram Johnny Rivers ao vivo e Creedence - Cosmos Factory. Ganhei um gravador Panasonic do meu Pai, aos 10 anos, com o qual gravava músicas da abertura da TV e do Rádio. Reunia os coleguinhas pra ouvir som á noite na frente de casa. Meu gosto era bem apurado, tendendo para o rock mais agitado.
Aos 15 anos entrei para o Stress, convidado por um colega de escola, que me ouviu cantarolando Led Zeppelin, no canto da sala de aula, sozinho.
Isso era 1976. De lá pra cá minha ligação com o rock ficou séria. Me formei em eletrônica, mais tarde em Processamento de dados...entrei concursado na Petrobras, onde trabalhei por três anos. De 75 a 82 o Stress se tornou uma banda conhecida em Belém, lotando teatros e grandes ginásios. Depois do lançamento do nosso primeiro LP nos tornamos conhecidos em outros estados, através de fitas K-7 e matérias em fanzines xerocados. Éramos a primeira banda a lançar um LP de Metal no Brasil. Mas, só saberíamos disso um ano depois, em 83, depois de nos apresentarmos no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Em 85 larguei a Petrobras e fui morar no Rio de Janeiro. Logo depois do Rock in Rio I gravamos o Flor Atômica. Ficamos conhecidos nacionalmente. O Brasil tinha enfim seu primeiro representante oficial no Heavy metal anunciado por todas as revistas especializadas em música, fanzines e etc.


HMB: Lembro-me que no primeiro disco do Stress, havia o logotipo da Pepsi-Cola na contra capa, mas eu nunca mais vi uma cópia com esse logotipo, foi uma parceria para a primeira prensagem?
Bala: Aquela era a tiragem original, de 1000 cópias, é raríssima.
Os custos daquele LP foram altos. Viagem para o Rio, estadia, alimentação,  estúdio, prensagem. Gastamos tudo o que tínhamos mais ainda faltavam às capas. Apelamos para a Pepsi-Cola para que eles fizessem as capas. Por conta desse custo - mínimo em relação ao total -, tivemos de colocar aquela logomarca enorme na contracapa do LP. A tiragem original foi de 1000 cópias, em 1982. A outra tiragem só veio acontecer em 2001, pela Dies Irae, com 1000 CDs e 500 LPs, já com a logo deste selo. Continua sendo uma raridade.

HMB: O que você se lembra dessa gravação, dificuldades técnicas, já que o Heavy Metal era uma novidade por aqui?
Bala: Era infinitamente mais difícil se gravar um disco naquela época, os custos eram altíssimos, equivalente ao de um apartamento de dois quartos. Não havia mais o que fazer em Belém, já tínhamos tocado nos melhores e mais conceituados teatros e ginásios da cidade, era preciso seguir à diante. Através de um amigo (o Profeta), contatamos o estúdio Sonoviso, no Rio, que nos garantiu que saberia gravar o nosso rock, já tinham feito isso várias vezes e dispunham de todo equipamento necessário para a gravação. Juntamos dinheiro com shows, vendemos objetos, pedimos pros pais e pegamos um ônibus pra enfrentar três dias de estrada até o Rio. Ficamos numa modesta pensão no Catete, dividindo beliches num único quarto. Quando chegamos ao estúdio nos foi oferecida uma bateria toda fodida, quebrada e desmontada, jogada num canto de uma saleta. Usamos barbantes e fita adesiva pra deixa-la armada. Recebemos a informação de que todo o equipamento prometido (bateria, efeitos, pedais, instrumentos) deveria ser alugado. Finalmente começamos a gravar, tínhamos de ser rápidos e a grana estava curta e a hora de estúdio era uma facada. Começamos a perceber que os caras não manjavam porra nenhuma de gravação de rock pesado. Chegaram ao cúmulo de propor que tocássemos sem distorção, que eles dariam um jeito de colocá-la na mixagem. Tratamos de fazer nossa parte, tocamos como se estivéssemos num show, com toda fúria e crueldade que as músicas pediam, afinal, naquele momento estávamos registrando anos de trabalho e defendendo nossas ideias e pontos de vista não só sobre a música em si, mas, sobre o cenário social injusto para a maioria das pessoas.
Gravamos tudo em 16 horas, foi meio “nas coxas”, mesmo, não tínhamos mais grana pra pagar outras horas de estúdio e ainda teria a mixagem. Quando tudo terminou tivemos a certeza de que os caras não estavam preparados pra gravar rock pesado. Ficamos extremamente decepcionados com o resultado, esperávamos algo compatível com o que estávamos acostumados a ouvir. Não havia mais nada a fazer, não tínhamos mais recurso pra refazer qualquer coisa, nem pra pagar as horas extras de mixagem. Acabamos saindo sem pagar às duas horas de mixagem, putos com o resultado.
Relutamos muito em prosseguir com a produção desse disco, tamanho nosso desapontamento. Resolvemos, então, fazer uma tiragem mínima de 1000 cópias, só pra termos um registro oficial das músicas e não jogar fora a grana já investida. Juntamos mais dinheiro e fizemos a prensagem. A Pepsi-Cola, patrocinou as capas. Depois de toda essa odisseia, finalmente lançamos o álbum, sem saber que seria uma obra histórica. O tempo nos mostrou que foi a atitude correta, se não, outra banda começaria o metal no Brasil.


HMB: Fazendo um comparativo com o seu começo, como você hoje vê os estúdios, as gravações e as finalizações do CD?
Bala: Hoje é extremamente mais fácil gravar, mixar, masterizar e prensar CDs - tanto tecnologicamente falando, como em relação aos custos. Os Home Studios estão por toda a parte, qualquer pessoa bem informada pode operar o equipamento. Os instrumentos importados estão com preços acessíveis e disponíveis no mercado nacional. Tecnicamente, o nível dos músicos e dos vocalistas melhorou, assim como o conhecimento dos técnicos de gravação e produtores musicais. Estamos quase pau a pau com os gringos, aquela enorme diferença de nível que havia no passado caiu por terra.

HMB: Qual é a sua visão do cenário da música pesada brasileira?
Bala: Temos excelentes bandas, músicos e cantores de ponta. Entretanto, o cenário está muito fragmentado. As dezenas de subdivisões do metal (Thrash/Black/White/Speed/Doom/Gothic/New/Indie) acarretaram um "racha" gigantesco no movimento. Antigamente (70/80's) todos iam aos shows, não importava o estilo, bastava ser rock/metal. Agora, cada estilo tem seu público específico, que normalmente odeia os demais estilos.
Outro agravante, a nova geração de "Rockers" é muito acomodada - sentam a bunda ao PC/Tablet/Celuilar, pra criticar e promover desunião -, só se mobiliza pra ir aos grandes shows internacionais, comportamento bem diferente dos Old School, que prestigiavam as bandas nacionais, éramos quase que uma Irmandade Metálica. Nossa geração já fez a sua parte (ainda faz), não temos mais condições de ir a campo pra lutar pelo nosso Metal brasileiro, pegar estrada como antes. Espero que a nova geração não detone tudo que plantamos, com muita batalha e com muita paixão.


HMB: Como você vê os que se valem do anonimato da Internet para o mal, geralmente depreciando o trabalho ou a arte de alguém pura e simplesmente porque pode jamais vai ser descoberto? E como você vê as leis que regem a internet e que são passíveis de interpretações errôneas?
Bala: Acho uma grande covardia esse tipo de atitude. Principalmente porque os indivíduos não tem coragem de falar cara a cara, se valem, inclusive, de perfis fakes para detonarem suas frustrações. Eu já estou calejado, sei muito bem como lidar com essa situação, o melhor é desprezar, bloquear, excluir do seu ciclo de contatos, assim eles sofrem sozinhos. Meus amigos não lhes darão ouvidos, pois, quem me conhece sabe do meu caráter e minha conduta. Se não gostar do meu trabalho, eu compreendo, pois, eu também não gosto de tudo. O que eu exijo é que haja respeito, sempre.
As leis que tratam desse assunto, ainda são muito desembasadas! Não é um universo fácil de lidar, tudo pode ser real e não palpável ao mesmo tempo. É preciso que se cuide melhor dessa questão, tornar crime alguns atos cotidianos na net, fazer os infratores pagarem penas, pois, daqui pra frente só tende a ficar mais problemático ainda.

HMB: Como foi ser open act para o Iron Maiden?
Bala: Começamos com o Stress antes do Iron, em 1975. Conhecemos seu som somente em 80, ficamos fãs na hora. Ao longo dos anos o Iron Maiden tornou-se uma das três bandas top do Metal mundial, até se tornar a maior da história. Em nossas festas (rockadas) e nossos toca-fitas não faltavam o som pauleira do Iron. Era inimaginável, nos nossos tempos de garoto, que um dia pudéssemos assistir a um show deles no Brasil. Ver nossos ídolos na nossa própria cidade, sem tradição nenhuma de grandes shows internacionais, e ainda por cima poder tocar no mesmo palco que eles (nossas próprias músicas), interagir, tirar fotos, ser aplaudidos e elogiados por eles. Isso foi surreal! Um sonho para qualquer mortal, amante do Heavy Metal. Desse show saiu o DVD "Stress abre a Donzela" (2012), uma das melhores performances de nossa carreira.

HMB: E como está sendo a receptividade deste DVD?
Bala: Esse DVD (Stress abre a Donzela) é mais que um simples produto do Stress, é o registro histórico de um dia inesquecível, para todos nós paraenses. As imagens foram doações de Headbangers da plateia, que somadas à nossa - de uma única câmera no palco - resultaram em um excelente DVD. Todos que o assistem se sentem parte daquilo, bate uma cumplicidade geral. Uma banda brasileira, paraense, abrindo o show dos maiores ícones do Metal mundial. Parece enredo de filme hollywoodiano.

HMB: De quem foi a ideia do crowdfunding para o lançamento em CD e DVD do evento Peso Brasil? Como foi participar deste evento?
Bala: A ideia foi do André Big, do Metalmorphose, com o apoio do Ricardo Batalha e de todas as bandas envolvidas. Certamente foi a mais importante reunião da história do metal brasileiro em todos os tempos. Músicos, jornalistas, personalidades, público, todos em perfeita sintonia. Não dá pra descrever o clima de comoção geral, emoção à flor da pele. Muita emoção nos bastidores, no palco e na plateia, algo jamais visto antes, lágrimas eram comuns. E o mais importante, bandas de metal brasileiro cantado em português. Memorável!


 HMB: E como está sendo a aceitação deste crowdfunding?
Bala: Não está sendo fácil atingir a meta. Isso me desaponta bastante. São cinco bandas brasileiras com história. Conforme o resultado, eu vou repensar se vale a pena criar coisas novas ou só me divertir com o que já fizemos.

HMB: Planos para o futuro?
Bala: Conforme o sucesso ou não do Crowdfunding do Super Peso Brasil, podemos lançar um álbum novo, temos material de sobra pra isso (lançamos uma inédita em janeiro, chamada Heavy Metal é a Lei). Se não tivermos o apoio necessário, provavelmente cancelaremos esse novo lançamento. Continuaremos a fazer apenas os shows que valham a pena.

HMB: Resuma Roosvelt Bala em uma frase ou palavra.
Bala:"O Coração de Metal"

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Bala: Eu também agradeço pela consideração e pela oportunidade de contar um pouco da nossa história. Gostaria que essa nova geração de fãs do metal tivesse a mesma união que a minha teve. Não deixem o sonho se esvair, aceitem os gostos nem sempre coincidentes, respeitem as opiniões adversas. Heavy Metal não é política e nem religião. É uma paixão a ser compartilhada e não disputada!
Um pesado abraço, direto da Amazônia!


(NOTA: Após essa entrevista o crowdfunding do evento
Super Peso Brasil atingiu seus objetivos e com
o apoio do público, e será lançado muito em breve.)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Lary Durante, ...o que a gente faz, fazemos porque amamos mesmo!


Lary Durante, baterista da banda de Punk Rock / Hardcore Ratas Rabiosas, colaboradora da Hi Hat Magazine e apaixonada por música e arte. Num bate papo muito inteligente, Lary se mostrou antenada com a nossa realidade e muito mais que isso, nos mostrou, novamente, que as pessoas que ficam, lá atrás do praticável, tem muito, mas muito mesmo a dizer. Confiram!

Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Lary Durante: Imagine, eu é quem agradeço a oportunidade deste bate papo.
Bem, me chamo Larissa, mais conhecida como Lary ou Larys, tenho 24 anos e moro na cidade de São Paulo.
Sou baterista da banda de Punk Rock / Hardcore, Ratas Rabiosas, colaboradora da revista eletrônica Hi Hat Girls Magazine que é uma revista totalmente voltada para bateristas mulheres, e essas são as atividades (não remuneradas, risos) que eu exerço com muito amor e carinho!
Além disso, sou formada em Comunicação e Marketing, mas infelizmente não atuo profissionalmente na área. Sou apaixonada por música, comunicação, arte de rua, e movimentos culturais. Adoro conhecer gente nova e bandas, fazer amizades, bater um papo legal e frequentar shows de rock pesadão (risos)!

HMB: Como é ser baterista de uma banda de Hardcore feminina? Já que este é um mundo masculino e extremamente machista?
Lary: Bem, desde quando comecei a tocar bateria até hoje nunca rolou algo que fosse ofensivo, desagradável em relação ao machismo.  Pelo contrário, sempre fui tratada com respeito e amizade, de igual pra igual, nunca tive e nem quero ter privilégios por ser uma mulher baterista. Carrego meus equipamentos pesados, monto e desmonto tudo sozinha, sem fazer doce, sem reclamar, pois essa foi minha escolha. É claro que para quem não conhece muitas mulheres que tocam bateria é um tanto quanto curioso né, mas ninguém nunca chegou até a mim de forma desrespeitosa não.
Mas que o machismo é presente no Hardcore, punk, metal, grind, Rock n' Roll , no underground no geral isso é fato,  porém  hoje em dia tento encarar essa questão com um pouco mais de "leveza", apesar do machismo ser um assunto sério! Por exemplo, eu acredito que a melhor maneira de responder a um cara que cria um grupo no Whats App titulado de "KINGS" para expor a intimidade das mulheres "pagando de comedor", é ironizando, fazendo uma letra que exponha a sua opinião a respeito disso, de repente com a sua letra, sua música você atinja a mais pessoas e as coloque para pensar um pouco a respeito do assunto. Ficar se fazendo de vitima, coitadinha, não é a melhor forma de se impor e combater o que lhe incomoda, o que lhe faz mal.


HMB: Mas você não acha que muitos desses detratores e engraçadinho do cenário, se escondem por trás do anonimato que a rede permite?
Lary: Ah sim, sem dúvida! É fácil pra caramba ser machista, ou "Hater" atrás de um computador né. Na rede você é o que você compartilha, mas na vida real o que te define são as suas atitudes.

HMB: Qual é a sua visão do cenário da música pesada hoje?
Lary: Em relação às bandas, acho muito bom! Temos excelentes bandas, excelentes músicos, e alguns espaços bem legais para tocar.
Agora em relação à organização de eventos e ao pensamento do público no geral, eu acho que ainda há muito que se melhorar sim!  Sair de casa e ir tocar para mim é sempre um desafio, pois eu nunca sei o que vou encontrar (risos)! Já cheguei para tocar em lugares que não tinha bateria, não tinha equipamento de som, ( "Era um showzinho muito engraçado, não tinha batera não tinha nada!", risos), tive que mostrar meu lado Punk (D.I.Y.) e improvisar uma bateria com caixote, cadeira, e uma "estante humana"  pra fazer um som porque colou uma galera de longe para assistir nosso show. Já improvisei ferragens com pneus também. Sou quase uma Macgyver (risos)! Fora as baterias tortas, quebradas, caindo aos pedaços, emendadas com fita, que destrói a coluna do peão né?! Mas tamô aí, né?
No geral, não ter um equipamento decente, atrasos de horas nos shows, entre outras, são coisas que eu acho broxante, considero uma falta de respeito com a banda.  Não estou dizendo que eu quero cachê, camarim com frutas da época, Chandon, toalhas brancas felpudas (risos), e sim o mínimo que uma banda precisa ter para tocar. Afinal, antes de a banda subir no palco, ela gastou uma grana com ensaios, transporte e é tudo muito caro.
Fora a galera que fica na porta do show enchendo a cara (risos), não entra para ver as bandas, e ainda reclama, fica cornetando, sabe?!  Reclama que não tem show, mas quando tem não vai, e quando vai ao invés de entrar no show para ver as bandas, fica na porta. Vai entender...
Acredito que essas observações que fiz, são observações bem recorrentes né?!  Todos que tem o já tiveram banda sabem como é, ou tem alguma história do tipo para contar. Não dá pra viver do underground no Brasil. O que a gente faz, fazemos porque amamos mesmo! Não há lucros, só prejú (risos).

HMB: Sim, são observações bem correntes, pelo menos aqui no HMB! Como você se decidiu pela bateria, já era uma paixão antiga?
Lary: Então, meu primeiro contato com um instrumento foi aos 10 anos quando entrei na Fanfarra da escola, eu tocava pratos, adorava aquilo, depois passei para a caixa, e quando ia para bateria, a fanfarra estava precisando de trompetista então eu resolvi passar para os instrumentos de sopro. Toquei trompete dois anos, trompa dois anos. Mais tarde surgiu a oportunidade de aprender a tocar violoncelo em um projeto da orquestra do Pão de Açúcar, esse estudo durou dois anos também. Foram experiências bem maneiras, pois tive a oportunidade de conhecer, e estudar música erudita, aprender teoria musical, partitura, história da música e etc, tudo isso era fascinante. Os anos passaram eu fui ficando grandinha e tive que me afastar um pouco da música para trabalhar (risos).  Quando tudo já estava mais ou menos encaminhado, estava terminando a escola, e já tinha me adaptado à rotina de trabalhar e estudar, eu percebi que ainda estava faltando alguma coisa na minha vida, pois eu não estava feliz. Faltava uma peça para o quebra cabeças.  Então decidi voltar a estudar música. Como tinha um grupo de "amigas" que estavam a fim de montar uma banda de punk rock, talvez tenha me motivado a voltar a tocar. Optei pela batera porque era algo "pendente" na minha vida, algo que com 10 anos de idade eu quis aprender, mas não dei muita atenção na época. Entrei para um conservatório musical, e fui estudar bateria, a banda nunca vingou (risos), se quer teve seu primeiro ensaio, mas eu estava decidida a resolver essa pendência, e desde então não parei mais, e estou tentando resolvê-la até hoje (risos)!


HMB: Você acha que o ensino musical nas escolas públicas, seria um grande incentivador para o crescimento cultural do país, que apesar de rico neste aspecto, sofre de uma desvalorização pelo próprio povo?
Lary: Sem sombras de dúvidas! Afirmo com propriedade, pois sou fruto disso. Estudei a vida toda em escola pública e sempre participei dos projetos da escola, hoje eu sei o diferencial que isso me trouxe como pessoa. A bagagem cultural que carrego, devo a todo o aprendizado que adquiri com esses projetos.  Estudei tudo o que pude e achava um barato! Fiz música, teatro, dança, programa de rádio, tudo isso me agregou muito. Um dia espero poder retribuir a tudo de alguma forma. Gostaria muito que em todas as escolas publicas, sem exceção, tivessem projetos iguais aos que eu participei, pois sei o diferencial que isso traz para a criança/adolescente, sei o quanto agrega. Uma criança que aprende música, ou qualquer outra forma de arte, tem um universo de possibilidades a sua frente. Através da música que aprendi na escola tive a oportunidade de conhecer lugares diferentes, fazer amizades, entre outras coisas. Essa convivência toda, com um universo de possibilidades me deixou desinibida, e isso me ajudou bastante a enfrentar as dificuldades acadêmicas, a ter disciplina, pois se eu fosse mal, nas aulas corria o risco de não poder mais participar dos projetos, coisa que eu não queria, pois eu gostava muito. Sempre detestei matemática, a música conseguiu me ajudar até nisso, pois para tocar eu precisava contar os tempos (risos)! Acredito que a música traz essa leveza ao aprendizado no geral, além de aprender a contar o tempo (risos), eu aprendia a analisar as letras das músicas, aprendi a desenvolver o senso crítico, analisar, formar opinião, e expressá-las abertamente. Por esse motivo que eu acredito e defendo essa tese.

HMB: O ensino musical foi banido em 1970, desde então vem ensaiando uma volta, e só existem aulas de música em algumas escolas públicas por iniciativa das pessoas de lá. Qual seria o caminho para que o ensino musical voltasse a fazer parte do currículo normal?
Lary: O caminho seria investir forte nos três "I's": Informação, Iniciativa, e Interesse.  Acredito que se as pessoas soubessem a importância e os benefícios que a música proporciona na questão do aprendizado acadêmico e desenvolvimento social, cultural e talvez acreditassem mais nessa tese, com isso apareceriam mais projetos que aguçariam a curiosidade e o interesse da molecada, e então todos abraçariam a causa com certeza.

HMB: E como você vê o ensino público de uma forma geral?
Lary: Calamidade! 
Mas o que se esperar de um país, onde um jogador de futebol ganha milhões por mês e é visto como "rei", e um professor que tem papel fundamental na educação e formação dos cidadãos, ganha uma mixaria e é visto como um nada? O professor vive de migalhas, é humilhado, maltratado, ofendido, desrespeitado e muitas vezes agredido dentro da sala de aula, e isso é muito triste, é lamentável mesmo!  Admiro muito essa profissão. Acho que os professores que dão aula na rede pública são verdadeiros guerreiros, são heróis, e dão aula, pois realmente amam o que fazem, porque não e fácil. E tudo isso tudo é reflexo de um povo sem cultura e desse grande descaso do governo.


HMB: E na verdade, não existe interesse no bem estar da população. Você consegue visualizar um futuro melhor para este país, ainda dentro das próximas três ou quatro gerações?
Lary: Poxa, por mais que eu tente, não consigo ver ou acreditar nessa melhora, isso pra mim é uma grande utopia. Cada dia que passa, vejo mais retrocesso.

HMB: E de onde vem essa visão tão pessimista da nossa realidade?
Lary: (risos) Na verdade é uma visão realista. É que a nossa realidade é péssima (risos), por isso soa como pessimismo.
Não dá para acreditar num futuro melhor de um país onde os governantes abandonam seu povo, e os deixam "viver" em situações desumanas. E o povo covarde, de certa forma se adaptou, e aprendeu a conviver e sobreviver na desgraça sabe?! É cultural isso, e faz parte do famoso "Jeitinho Brasileiro de ser", de se adaptar rápido, se adequar as diversas situações, de dar um jeito de se virar mesmo em situações extremas. Tem um lado positivo nisso? Tem claro! As pessoas aprendem a se virar logo cedo, e isso é bom, porem se acomodam, e aceitam facilmente até aquilo que lhes prejudicam, que lhes fazem mal, e isso não é bom. Querer levar vantagem em tudo, ser mais esperto que os outros também é um agravante, para mim uma pessoa que fura uma fila, que embolsa um troco que veio a mais, é tão corrupta quando o político que rouba a grana do  povo.
Especular e acreditar, em uma melhora, é como dar soco em ponta de faca.  A massa vive em tempos de apatia, de agonia, com cérebros atrofiados, e um povo assim é mais fácil de ser manipulado, e acredito que, seja exatamente isso que os governantes querem, um povo sem informação, sem cultura, doente, jogado as traças.
Por mais que tenham Brasileiros iludidos, que pregam e acreditam em uma melhora, no fundo, no fundo até eles já sabem que a "merda" já está feita. E que não! Não haverá progresso, não haverá futuro. A banda Olho Seco já propagava isso nos anos 80: "Mãos estendidas, mãos trêmulas, de um corpo fraco, mostrando sempre a palma da mão".

HMB: Você crê que a conscientização das massas seria um primeiro passo para uma reorganização do Estado, ou isso também é utopia?
Lary: Sim, apesar de acreditar que esse trabalho de conscientização das massas seria um trabalho de formiguinha. Mas de fato seria um primeiro e memorável passo.


HMB: Planos para o futuro?
Lary: Bem, tenho alguns planos e projetos pendentes (risos).
Vou entrar em processo de gravação nos próximos meses, para lançar o primeiro trabalho da  minha banda, participaremos também de uma coletânea. Pretendo dedicar um tempo aos estudos baterísticos, e mais para frente produzir uns vídeos fazendo play along e postar no youtube, um dos vídeos que pretendo produzir será em parceria com um guitarrista muito supimpa da cena do "Hardcorepunkmetalgrind-crust666motherfuck" (risos), o Fábio da banda Sistema Sangria, penso em fazer algo com a mulherada da batera também. Fora a revista, Hi Hat Girls Magazine, né? Continuar divulgando o trabalho da mulherada baterista, incentivar, apoiar, e buscar novas parcerias para quem sabe um dia realizar nosso sonho de torna lá física, real.

HMB: Resuma Lary Durante em uma frase.
Lary: Batatinha quando nasce (risos), brincadeira.
Uma das frases que me define é "Quem tem vontade, tem metade”.

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para nossos leitores.
Lary: Ahhh, já acabouuuuu (risos)? Poxa, eu é quem agradeço à você JP e a HMB pelo espaço e oportunidade cedida a mim, muito maneira mesmo a sua iniciativa. Eu adorei, nosso bate papo, foi bem divertido. Aos leitores da Heavy Metal Breakdown, um grande abraço! Espero que tenham curtido, e aproveitem esse espaço, aproveitem as oportunidades de adicionar com quem está a fim de fazer a cena do Rock Pesado se movimentar, sem por a frente interesses pessoais. Vamos fortalecer o Underground, usar todos os espaços e ferramentas disponíveis a nosso favor.  União, Igualdade e Respeito acima de tudo!
Quem quiser conhecer o som da minha banda e o trabalho que faço na revista deem uma acessada:

Banda Ratas Rabiosas:

Hi Hat Girls Magazine:


Valeu! É nóis!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Cezar "Heavy" Bastos, nem melhor nem pior, apenas diferente.


Cezar “Heavy” Bastos, músico, radialista e um batalhador do Underground brasileiro. Sempre buscando mostrar o cenário de forma abrangente e diversificada, e foi com essa mesma paixão que ele nos concedeu esta entrevista e claro, não deixou pedra sobre pedra. Confira.

HM Breakdown: Antes de tudo, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, nos fale sobre você e suas atividades.
Cezar "Heavy" Bastos: Morando em São Paulo, aos 16 anos, tive meu primeiro contato com um instrumento: minha primeira guitarra. Antes eu atormentava os instrumentos dos primos e dos amigos. Essa guitarra era uma Giannini que ganhei de minha mãe de aniversário e, daí para frente, começa a história.
Músico autodidata, mas, estudei com alguns professores em São Paulo, um pouco de violão clássico, e foi só. Minha vida era mesmo o Rock’n Roll! Comecei com a banda Curse. Era um som Death/Thrash da época (anos 80). Pesadão e tosco. A banda durou alguns anos e depois desse tempo cada um seguiu seu caminho. Foi maravilhoso! Logo vieram as bandas Dahmer onde eu era vocalista, mas toquei baixo e guitarra em várias formações. A Vulva Vulgar foi uma banda também, com um puta potencial, som próprio, clássicos do Rock. Nessa banda eu tocava guitarra.
Na sequência veio a banda Crom; um Heavy Metal bem feito, em inglês. A banda fez várias apresentações memoráveis e era bem conhecida na Zona Leste de São Paulo. Nesta banda eu fazia vocal e de repente, o baixista deixa a banda e assumi os vocais também. Começando minha carreira como baixista e vocalista. Por uma série de fatores a banda se dissolve.
Com a banda Us Arghh (Grind/Hardcore) toquei bateria e até gravamos uma demo. Mas meu lance era o contrabaixo. Isso já em meados dos anos 90/96, época da minha saída de São Paulo (Capital).
Vim para o interior, Lorena, Vale do Paraíba, consegui encontrar uma galerinha do Rock e a partir daí, comecei a infiltrar minhas ideias, sons e coisas assim no pessoal da cidade. Foi então que veio a banda Phobia. Banda pioneira no estilo na cidade e que fiz em várias formações vocal, guitarra e baixo.
Na sequência veio o lado mais profissional da coisa com a banda Alquimia. A banda fazia covers de Rock nacional, Heavy, Hard... Sempre tocando em bares e festas universitárias. Saindo da banda Alquimia, veio a banda Tublues. Banda que até hoje vinga fazendo aquele Rock’n Roll e Blues que não deixa ninguém ficar parado. Na Tublues, entrou ainda na banda Medellin, que fazia covers de clássicos do Rock e do Metal.
Ainda teve mais uma banda Grind: Decomposição Social onde eu fazia baixo e vocal também. Era uma puta sonzeira!
Umas das bandas que marcaram muito também foi a Judas Priest cover. Era uma banda com músicos sensacionais, que tocavam com muito amor e tesão. Na banda eu fazia a parte do mestre Halford!
Hoje estou fazendo os costumeiros Free Lancer, estou com a Tublues e a Creedence Rock’s que faz, é claro, cover do Creedence Clearwater Revival , mantenho um projeto, o Brazilian Stoner Rock’n Roll que é um projeto de lançamentos de CDs virtuais para divulgação das bandas independentes que tem dificuldade em mostrar seu trabalho.

HMB: Além de músico, você também faz parte da Stay Rock Brasil e tem um programa, o No Class (não Stay Class, risos) onde você toca músicas das mais variadas vertentes do rock? O que te levou ao rádio e nos fale sobre o conceito do No Class?
Cezar: O que me levou ao rádio?  Boa pergunta!  Recebi o convite do amigo Johnny Adrianni pra fazer um programa do jeito que eu quizesse;
Nesse tempo, eu nem sabia e nem imaginava como seria isso. Ele foi me dando dicas de como fazer e tal... Pronto, saiu o primeiro. Um horror (risos)! Era o Brazilian Stoner Rock'n Roll pela Solid Rock, há cinco anos.
Aí, me aparece o tranca, mór: Renato Menez. Tinhamos contato por ele ja curtir o som da Tublues e ele me disse que queira montar uma rádio on line , me fez o convite e deu no que deu. Stay Rock Brazil.
Estamos, há cinco anos detonado Rock de verdade na internet com uma puta equipe de conhecedores profundos no assunto. Tudo tiozinho doido (risos). O  mais importante: O Rock Nacional em 1º Lugar! E o No Class é a parte suja da Stay Rock (risos). O nome ja diz tudo. Sem Classe!
O lance do programa é rolar tudo que é pesado, podre, sujo. Enfim, Rock em geral. Tem também o espaço para entrevistas com músicos e bandas e lançamentos exclusivos. E já passou muita gente por aqui. Toda quinta-feira, às 21 horas, ao vivo, reprisando na sexta, às 14 horas. Quem quiser rolar um bate-papo no programa, é só adicionar no skype: cezarheavy


HMB: A cena underground no Brasil é muito forte, mas só se movimenta pela paixão das pessoas que editam programas de rádio, web TV, blogs e organizam shows. Como você vê o cenário da música pesada no Brasil?
Cezar: Não sou muito chegado em responder essas perguntas que questionam. Mas, vou falar por mim!
Tirando as bandinhas de músicos de final de semana, as coloridas, as pseudo-rock e todas essas bostas, vejo assim:
 O Metal: o melhor que existe. O nível do metal brasileiro chegou a um ponto que, não me preocupo em ouvir bandas de fora. Claro que escuto, mas, não daquela forma de como era antes. só existiam eles. Isso não existe mais! E tem  mais!! Digo o mesmo sobre o Metal Latino.
O Rock'n Roll, Hard-rock etc... Sensacional! Maravilhoso! A cada dia escuto uma banda diferente que faz pirar o cabeção, e outras que me fazem vomitar; de tão ruim que é. Assim é com  o Stoner, Doom, Blues, Blues Rock entre outros estilos e bandas que fazem um som de pau duro, com garra, vontade e tesão.
Pra ficar melhor, é só o povo, ouvintes e aficionados pelo real Rock, olharem mais, dar mais a valor ao pessoal que faz isso acontecer, divulga,  se acabar preparando programas e escrevendo matérias pra divulgar uma banda. Pois tem banda e músicos por aí que, tão pouco se fodendo para o que você faz por ele, depois que você os divulga, eles te tratam como bosta. Nem um obrigado ou reconhecimento. Você deve saber como é, né?  Você faz esse trampo também.
 Mas é isso. As bandas brasucas estão fodas! Só falta mais espaço para os autorais! Público tem!

HMB: Como poderíamos destacar as bandas autorias? Com show melhores? Produções melhores? Visto que a midia dita especializada de grande porte abre espaço para 98% de bandas internacionals e o restante para as bandas nacionais.
Cezar: Essa pergunta é parecida com uma outra, já respondida, mas é boa.
Destacando as bandas autorais: Espaço para mostrar seu trabalho, valorização e exposição. Da mesma forma que as gringas são massivamente expostas na mídia aqui, já passou da hora de fazer o mesmo com nossas bandas. Uma coisa que fode muito também, são os tapados musicais. Aqueles que ficam dizendo que o Rock Brasileiro não existe. Na mente desse filho da puta não existe, porque ele não tem o interesse de procurar e se antenar com o que acontece na cena. Fica nas FMs pseudo Rock da vida, é isso que dá.
Produção e shows: Os últimos shows que tenho visto, seja em eventos de grande porte e menores, percebo que a coisa vem melhorando sempre. Você percebe o esforço do querer fazer o melhor a cada show e evento.É uma grande evolução.
Quanto a shows: Muitos estão acontecendo, vários fests autorais em lugares de todos os tipos só com bandas fodas, novas e velhas.
Já que, donos de casas e bares só dão valor a bandas cover, que enchem o rabo deles de dinheiro falso. Taí mais um motivo de tanto nego baba ovo de banda gringa e não conhecer as brasileiras.
Essa mídia "especializada" de grande porte é a pior que existe. Escrevem merda, falam o que não sabem e só dão valor aos puxa sacos e aos lambe bolas. Se não pagar um pau pra eles, não entra. Acompanhem a cena Underground feita por gente que é do ramo, que se mata pra valorizar o que gosta e o que faz, sem querer nada em troca. Existem várias na internet que dão o sangue pelo nosso Rock'n Roll e não ficam babando ovo de gringos e nem de bandas que se acham e que pensam que controlam tudo. Tenho dito.

HMB: Ainda insistindo no assunto, com o crescimento dos blogs, de web rádios e sites voltados ao Heavy Metal, você acha que só não acompanha o que acontece aqui no quintal de casa se não quiser? E mais, será que somos tão culturalmente xeniflistas ao ponto de renegar o que de melhor se faz pro aqui?
Cezar: Sim. Muitos sites, blogs, web rádios aparecendo, é muito bom! Porém, saiba escolher. Tem muito Maria vai com as outras por aí, que pensam que estão ajudando, mas, só estão fodendo mais ainda, devido a noticias falsas, má pesquisa e informação em geral, etc.. Peneire o que você acha coisa boa! Exite muita coisa boa! Digo isso aos fãs do Rock Nacional, aqueles que querem pesquisar, caçar bandas novas, escutar algo diferente, enfim... Não saia lendo e acreditando em qualquer site. blog, etc... Muitos gostam de foder nosso Rock.
Quanto a nossa cultura, hummm! Creio eu que ainda somos baba-ovos de Europa e USA. Se eles soubessem o quanto de bandas fodas, nosso Brasil tem, não iriam se preocupar com tantas merdas que vem de fora. E digo mais: Não só aqui! Na nossa América! Bandas argentinas, chilenas, peruanas, paraguaias, em todos os países da América Latina, que não devem nada a gringo algum. Seja no estilo que for. Enfim, a coisa está melhor que há uns anos atrás; graças a internet. Mas pode melhorar ainda! Pesquisem, corram atrás, perguntem. Tem muita banda aqui esperando por você!


HMB: Você é um disseminador do rock nacional em todas as suas vertentes, e abre espeço no seu programa para todas as bandas que o procuram, já houve casos em que você teve que lidar com pessoas, digamos, mal agradecidas?
Cezar: Sim! Várias! E posso adiantar que não são de bandas novas, mas sim, de bandas das antigas! De bandas e músicos que sou fã. Mas não é por isso que irei deixar de gostar da banda.
O engraçado é que, essas pessoas, que desrespeitaram o trabalho que faço na rádio e a rádio, nos menosprezando, no outro dia, abriram o rabo pra mídia grande, àquela que você tem que babar ovo.
Não tem problema. A Vingança vem a galope! Hoje nosso trabalho é respeitado, é digno, honrado e honesto. Não cobramos um centavo por nada que fazemos por bandas ou músicos. Bandas e músicos são livres para enviar material físico, que quando enviados, são sorteados aos ouvintes e fãs.
Não vou citar nomes, já estão em fim de carreira, virando estrelas anãs. Deixe-os morrer por si próprio.

HMB: Como foi voltar com a sua antiga banda, o Crom, depois de tantos anos?
Cezar: Um grande tesão! Era uma coisa que todos queriam. Sempre  achei o o som da banda muito foda e voltar com a formação original de 92/93 foi demais. Temos muita coisa para mostrar ainda, inclusive, tem um festival anual na cidade de Cachoeira Paulista, que vamos estar presentes, e com  grandes nomes do Metal Nacional.
Estamos felizes com a volta da Crom e pretendemos em breve, regravar tudo o que temos. Temos uns dez sons prontos e algo na manga. Quero deixar aqui um abraço aos vadios da banda: Keko (foi batera da Tomada também), Flavio (Japa FDP), Altemar (irmão eterno) e o Pedrão que veio da segunda formação da banda.

HMB: E a Tublues? Há um tempo vocês lançaram um novo CD, intilulado Quatro. Quais são os planos da banda agora?
Cezar: A Tublues está bem, obrigado (risos)!
Estamos à preparar um DVD/CD acústico com muitos convidados. Quanto ao disco Quatro e toda nossa discografia, está em nosso blog para download, no reverbNation, no site Nave dos Deuses pra audição e em mais um monte de lugares. Destacando que, tem as participações mais que especiais dos meus ídolos de juventude, como Percy Weiis e Rubens Gioia (Rubão da A Chave). Acesse nosso blog lá tem vários links: ttp://tubluesrock.blogspot.com.br/


HMB: Planos para o futuro?
Cezar: Ver a cena autoral cada vez mais forte, com mais reconhecimento e respeito com as bandas e músicos. Tocar muito com a Tublues e a Crom.

HMB: Resuma Cezar Heavy em uma palavra ou frase.
Cezar: Nem melhor nem pior, apenas diferente.

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Cezar: Eu que agradeço o espaço JP! Muito legal esse bate-papo. Me pegou de jeito nas perguntas (risos).
 Quero agradecer a você, aos irmãos /amigos da Tublues, Jairinho, Alexandre e James, aos amigos/irmãos da Crom Keko Freire, Altemar, Pedrão e meu irmão Robson, por estarmos juntos, na estrada e acreditamdo em nosso trampo. A todos os bares, casas, rádio e a todos que apoiam as bandas autorrais, pois, só nós sabemos como é foda fa zer o que fazemos: Dedicação, estudo e dar o cara a tapa, mostrando o que você cria.
Pra fechar, não posso esquecer alguns nomes: Renato Menez Stay Rock Brazil (Obrigado sempre será pouco), Percy Weiss, Luiz Barata Cichetto (Desde o começo, irmão), Max e Ilce, Lana, Natal Conde Vlad, Lokinho, meus amigos do Pombal/VNS Zona "fuckin" Leste, Povo de Lorena e região, Beto Branco e ressonância, Lucifloyd, Aline Celestial Killer e a tods que apoiam meu trabalho e minha música, nossa música. a música!
Pessoal: acredite no que você quer e no que você gosta, não no que te obrigam a gostar e acredita!
"Cabeças vazias têm grande facilidade em balançar para cima e para baixo, em sinal de sim"
No Class, Forever!

sábado, 5 de julho de 2014

Elias Oliveira, um diabo necessário...


Elias Oliveira, paulistano radicado no Rio de Janeiro, baixista da banda Demolishment e um cara muito divertido, mas seríssimo no que diz respeito a sua banda. Confira tudo que ele nos contou a seguir.

Heavy Metal Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você e suas atividades.
Elias Oliveira: Olá JP, eu que agradeço o convite. Bem, vamos lá. Sou o Elias, sou o baixista e back vox gutural da Demolishment. Sou nascido e criado em São Paulo, mas já moro no Rio de Janeiro tem uns sete anos. Eu toco baixo desde os 16. Sou autodidata, aprendi um pouco aqui, um pouco ali, pegava uns VHS emprestados de vídeo aulas pra poder evoluir e venho estudando desde então. Comecei com um baixo de quatro cordas, mas ele não estava mais atendendo as necessidades atuais e das propostas das músicas, hoje em dia, uso um Washburn fretless de seis cordas e alguns pedais de preamp e equalizer pra compor a timbragem.
Quando vim morar no Rio, fiquei um tempo sem tocar, até mesmo porque não conhecia ninguém. E conheci uma garota, que me indicou o Rafael Sousat e comecei a conversar com ele. Ele estava com um início de projeto para uma banda de Technical Death Metal chamada Carnage Brawl, ele me mandou uma prévia das composições e comprei a ideia na hora. A banda era composta por Rafael, Bruno Tavares (Demolishment), Juan Carlos (Innocence Lost) e o gordo aqui.
Chegamos a compor uma música, mas entre muitos contratempos, a banda se desfez. A antiga banda do Bruno também terminou (Divine Curse) e ele montou o projeto inicial da Demolishment com o Thiago (nosso vocal, mas tocava baixo inicialmente), Felipe Diaz (guitarra), Bruno (guitarra) e Rafael (bateria). A banda passou por reformulações, entrou Diego (guitarrista) e eu. Então gravamos nosso single com Bruno fazendo os vocais rasgados e drives e eu segui no gutural. Logo após, o Rafael também saiu e chamamos Diogo (baterista). A banda seguiu assim por um tempo, então decidimos chamar o Thiago de volta para a banda, dessa vez no vocal, até mesmo porque se ele voltasse para o baixo o que eu iria fazer né (risos)?
Então com essa adição, o time finalmente ficou completo. E a ideia deu muito certo, e estamos seguindo nessa formação até hoje e creio que não irá mudar. Estamos com foco total nas novas composições. Tem material novo pra chegar por ai.

HMB: Como foi a repercussão do EP "Our Fury is Unleashed"?
Elias: Cara tem sido muito boa. A galera tem gostado bastante. Ano passado fizemos uma temporada de shows para divulgar o mesmo. Entre fevereiro e outubro tocamos e sempre fomos bem recebidos pela galera. O público contribuiu em grande maioria com a presença, comprando o material da banda, mandando mensagens de suporte, falando conosco depois do show, ficamos muito felizes com o resultado. Dá aquela sensação de dever cumprido, sabe? Fizemos o EP com empenho e ficamos felizes de ver o resultado.
Algumas resenhas foram feitas por muitos blogs, saímos também na Road Crew onde Jhonny Z. escreveu a resenha.
Acho que não poderíamos prever um feedback melhor do que o que tivemos. Em suma, fechamos 2013 muito contentes com o resultado.


HMB: Como é o cenário Heavy Metal no Rio de Janeiro?
Elias: Bem não vou dizer que o cenário é fraco, apenas que já foi melhor. Atualmente, os eventos de bandas autorais não vêm dado tanto público como antigamente. Os eventos de cover continuam tendo maior expressão. Mas creio que isso seja normal em qualquer lugar. Não é uma característica específica do Rio de Janeiro. Mas pelo que venho observado, estamos tendo uma melhora nesse quesito. Espero que continue a subir o degrau progressivamente.
O que observei é que eventos em locais mais distantes da capital tendem a ter maior público. E o público que comparece nos shows da capital, é geralmente o mesmo público de todos os eventos que você vê. A galera que realmente curte e apoia e tá lá pra curtir o bom e velho Metal!

HMB: E essa evasão do público dos shows autorias, não seria pela pouca expressão das bandas?
Elias: Acho que as duas coisas caminham juntas: comparecimento nos shows e divulgação das bandas. Toda banda grande, hoje em dia já foi underground e estão onde estão pelo apoio do público. É uma relação de simbiose. A banda depende do público pra coexistir, sem eles, não somos nada. Claro, que uma boa divulgação e ação de marketing têm grande influência, afinal, toda ação midiática tem alvo e sendo assim, gera um público. Mas nem sempre esse público que dá o suporte online está lá presente para colaborar e conferir pessoalmente o desempenho da galera. Mas acho que as pessoas estão onde deveriam estar. Quem foi para o show, é porque tinha que estar lá e com certeza vai se divertir, vai curtir as bandas, vai tomar umas boas cervejas com a galera, conversar e entrar na roda. Quem sabe até perder um dente e guardar como recordação (risos).

HMB: Mas você concorda que muitas bandas, se preocupam apenas a divulgação pelas redes sociais, e que dificilmente saem dessa zona de conforto?
Elias: Concordo. Uma coisa que nem toda banda faz é procurar comparecer nos shows Underground e apoiar a galera. Então muita gente reclama, mas não faz diferença para mudar o quadro. Tem que comparecer, se não conhece, dá uma ouvida, curtiu, aparece. Com certeza novas amizades vão se formar e bons contatos surgem desses momentos.
Hoje em dia muito se perdeu da questão de fazer divulgação pessoalmente. Malefícios da sociedade moderna onde tudo é digital e para ontem.


HMB: Estou sabendo que em breve haverá um novo lançamento da Demolishment, Você pode nos adiantar alguma coisa sobre isso?
Elias: Sim. Realmente estamos parados para shows neste momento porque estamos focados na gravação do nosso novo disco. Será o debut. Novas músicas que serão inclusas nesse disco foram tocadas em nosso último show e pelo que parece a galera curtiu muito.
Esse disco será misto, com composições em inglês e em português. O disco vem com uma temática mais sombria no que se trata de algumas composições de letras novas. Trabalhamos bastante nessas novas músicas. Queremos agregar a técnica, mas sem perder nossa característica musical. Encontramos nossa identidade de criação, e acho isso muito válido, portanto exploramos bastante dentro desse nicho para poder criar essas novas músicas. Ficamos muito contentes com o resultado das composições e acho que o público vai curtir também essa variação.
Temos um planejamento de finalizar tudo até agosto desse ano e estamos trabalhando para isso. Todos na banda têm o tempo bem escasso e estamos quase que inventando tempo para poder cumprir o prazo, mas todo o esforço vai valer a pena quando tivermos o trabalho pronto e em mãos. Portanto fiquem ligados!

HMB: E como se dá o processo de criação da banda?
Elias: Nossas criações são bem mescladas devido a nossas influências variadas. Eu por exemplo vim do Prog/melódico/Groove; Bruno era mais Death melódico, Diego voltado pro Thrash/Heavy, Diogo também veio da escola do Prog e o Thiago mais Thrash. Então temos muitas vertentes que colaboram com nossas criações. Quando um tem uma ideia, procura lançar para o papel e apresentar para o restante, assim todo mundo vai ouvindo e dando suas opiniões sobre os riffs e as linhas que combinariam. Tudo é analisando e vamos acrescendo na música com um acordo mútuo. Linhas de criação podem vir dos mais variados lugares e momentos. Eu por exemplo, criei linhas da Age Of Doom durante o casamento de um tio meu, eu sai da cerimônia, fui para o lado de fora, gravei a linha com a boca no meu celular e voltei. Chegando em casa foi só escrever; Tem uma música nova que estará no CD que eu fiz durante uma viagem de trem. Aproveitei a marcação dos trilhos como metrônomo e fui criando e tudo sendo gravado no celular (bendito seja) (risos).
As linhas das bases geralmente vêm do Bruno ou de mim, mas o importante é que nada é fechado sem que todos opinem.
As letras também seguem um planejamento parecido. Alguém escreve e manda para que todos analisem, a gente faz observações, nos reunimos e vemos o que fica melhor. Todos na banda têm liberdade total de criação e expressão. Somos músicos e acima de tudo, somos amigos, o que sempre facilitou para a exposição de opiniões.

HMB: Você acredita que uma relação de amizade seja fundamental para a longevidade de uma banda?
Elias: Acho não, tenho certeza disso. Pra mim, o fato de já sermos amigos antes de termos completado da Demolishment faz com que tudo seja resolvido de forma mais prática. Tudo é decidido por todos, todos opinam, todos tem liberdade, a banda é de todos. Essa união colabora, e muito, nas composições, tomadas de decisões e faz com que não tenhamos um desgaste. Estamos sempre brincando e rindo, falando merda o tempo todo. É um clima sempre descontraído. Sabemos bem a hora de falar sobre coisas sérias e a hora de aloprar. Amizade faz que a base de tudo seja mais forte, consequentemente, vai ser mais duradouro.

Casa que é construída na areia não tem base sólida e logo desmorona. A amizade traz a base mais sólida que se pode ter: confiança. Temos confiança e respeito uns pelos outros, e isso faz com que possamos erguer essa casa até onde nossos olhos puderem alcançar, pois temos uma base sólida e estruturada pra erguer isso. Agora é batalhar, pois as oportunidades estão ai e cabe a nós nos prepararmos para abraçá-las

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HMB: Quais são seus ídolos e influências no contrabaixo?
Elias: Bem, meus ídolos são inquestionáveis pra mim. Com certeza absoluta entram nesse hall o grande Steve Morse, Eric Johnson, Satriani, Steve Vai, Hermeto Pascoal, Yanni, Muhammed Suiçmez, Wooten, Miller, La Rue, Caspersen, Champignon. Esses são os principais que ajudaram a me tornar o músico que sou hoje em dia.
Minhas influências são muito variadas. Tenho influência desde o groove até o technical death metal. Os principais são Abraham Laboriel (Ron Kenoly), Markus Grosskopf (Helloween), Victor Wooten, Marcus Miller, Dave La Rue (Steve Morse Band). Jaco Pastorius, Flea (RHCP), Les Claypool (Primus), Stephan Fimmers (Necrophagist) e os mais influentes nos últimos anos, Erlend Caspersen (Spawn Of Possession) e Sean Beasley (Dying Fetus). Essa surruba musical fez com que eu tivesse a pegada de hoje em dia e pudesse montar minha identidade musical no instrumento.

HMB: Você ainda estuda seu instrumento?
Elias: Vou te dizer que na teoria sou uma derrota (risos), mas faço o possível para sempre me atualizar. Procuro sempre estar antenado com técnicas e novas formas de execução. Existem músicos excelentes mundo a fora e o mundo digital colabora para que tenhamos acesso às novas informações. Ultimamente a faculdade consome muito do meu tempo, mas sempre arrumo um tempo na semana para tocar um pouco em casa.
Acho que uma das melhores formas de se evoluir é pegar aquela música que você acha difícil e tentar executá-la. Com certeza vai te forçar a desenvolver novas formas, pegadas e técnicas em diversas áreas do seu instrumento.

HMB: Como são feitas as divulgações da Demolishment? Você acha que as redes sociais são uma ferramenta importante para este tipo de trabalho?
Elias: Nós agora fechamos assessoria com a Metal Media pra cuidar dessas questões pra gente. Antes, a divulgação era majoritariamente online a gente procurava comparecer ao máximo de eventos para fazer a clássica divulgação boca a boca, tomando uma cerveja com a galera e levando material quando possível.
Como eu havia falado anteriormente, divulgação online é de suma importância, e a Metal Media vai fazer isso com maestria, mas iremos continuar a presenciar os eventos e divulgar nosso material. Temos alguns planejamentos sobre esse assunto que serão colocados em prática assim que o CD novo sair.
Sobre as redes sociais, acho que são de extrema importância. Tudo hoje em dia esta conectado, e não poderíamos fazer diferente. No mundo online, você tem um maior alcance de pessoas e em maior velocidade. Sua música pode ser compartilhada pelo seu vizinho hoje e amanhã ter pessoas no Japão curtindo o seu som. Isso é sensacional. Temos que aproveitar as vias que a tecnologia nos proporciona.


HMB: Planos para o futuro?
Elias: Tenho muitos. Me formar, o que ainda está meio longe, mas futuro é futuro né (risos)?
Além disso, pretendo seguir firme e forte tocando do lado dos meus irmãos. Deposito muita energia e confiança nessa banda e acredito em um futuro próspero para todos nós

HMB: Resuma Elias Oliveira em uma frase ou palavra.
Elias: Sinceridade. Sou um cara muito sincero e não tenho papas na língua. Falo o que tiver que falar para quem tiver que falar e na hora que tem que ser dito. Sou meio ogro mesmo. Assim como dizia o Pica-Pau, costumo dizer que sou um "diabo necessário."
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HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Elias: Eu que agradeço o convite e o espaço cedido para poder falar sobre minha vida e minha banda, que não deixa de ser minha vida também.
A mensagem que deixo é que acreditem realmente nos seus sonhos. Se quer algo, corra atrás. Acredite na sua capacidade e criatividade. Deixe-a fluir livremente e não se prenda a rótulos e conceitos. Criação, não tem limites.
"The creations of the hand are confined by reality. The creations of the mind know no such limits."
É isso. Sucesso para todos nós!


terça-feira, 1 de julho de 2014

João Vormehlen Junior, O Heavy Metal nasceu para todos...


João Vormehlen Junior, baterista da banda Mr. Fear e também um cara batalhador, meteu as caras e fez acontecer em sua cidade, Nova Trento, em Santa Catarina o Festival Trento From Hell, que chegou á ter dois dias em sua programação. Além disso ele ainda organizar diversos eventos de menor porte. Confira nesta entrevista como ele age, pensa e  vive o Heavy Metal em sua .

HM Breakdown: Olá João, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Faça um resumo de você e de suas atividades.
João Vormehlen Junior: Olá, meu nome é João Vormehlen Junior, ou somente Juninhu sou de Nova Trento- SC. Comecei a trabalhar com bandas undergrounds em 2007 quando montei a produtora 'Vormehlen Produções', fiz meu primeiro evento 'Trento From Hell' com oito bandas em Nova Trento - SC, em 2008 o evento evoluiu para dois dias com 24 bandas incluindo os paulistas do Torture Squad e Funeral do Paraguai, em 2009 o evento foi transferido pra Brusque-SC, para que fosse feito junto com o 'Brusque in Flames'' e assim nasceu o 'Union Metal Devotion' de três dias, com 37 bandas do undeground nacional, mas só teve uma edição!
Em 2009 fui convidado por Alexandre Ripper 'Bicudo' de Tijucas-SC, ex-Power Steel para montar o projeto Mr. Fear que já existia desde 2006, foi convidado para tocar junto ao guitarrista Marcos Merizio de Nova Trento, ex-SabotageN, o baixista Batata de Florianópolis e guitarrista Adriano de Palhoça, fizemos nosso primeiro show em Porto Alegre, depois Batata e Adriano saíram pela grande distancia entre os municípios, então convidamos para abanda, o baixista Alexandre Corsi de Nova Trento, ex-Estilo Neutro, com essa formação a banda tocou no River Rock 2010 para fazer uma mega tributo ao Ronnie James Dio, Alexandre Corsi se desligou da banda e entrou no lugar Giovani Armelini e logo em seguida entrou também o guitarrista Flavio Cavilha (Soulthern), essa formação tocou no Zoombie Ritual 2011, Alexandre Ripper deixou a banda e foi convidado o guitarrista Giovanni Tamanini, ex-Wearblack, para assumir os vocais e a segunda guitarra, essa formação lançou o single “Heavy Metal” no inicio de 2013, depois Alexandre Ripper voltou para a banda e cantou em alguns eventos porque o Giovani Tamanini teve que se afastar por causa dos estudos, Alexandre Ripper, teve que se mudar para Porto Alegre, isso fez a banda parar por um tempo, mas agora, estamos gravando nosso primeiro álbum, com a mesma formação do single nas horas vagas, logo sai!

HMB: Como você descobriu que tinha talento para ser baterista?
João: Meu irmão tocou baixo na banda SabotageN, que agora se chama Wearblack, e eu ia aos shows deles e a bateria me chamava atenção, mas outra coisa que me motivou a ser baterista, foi quando conheci o Iron Maiden quando tinha uns 9 anos, estava vasculhando os CDs do meu irmão e achei uma capa muito massa, com um monstro e um demônio, era o CD 'The Number Of The Beast', botei pra tocar o som estava muito alto e me assustei com a introdução da bateria da música 'Invaders', esse CD tinha os videoclipes das músicas 'The Number Of The Beast' e 'Run To The Hills?' para assistir no computador, quando eu assisti Clive Burr tocando senti uma enorme vontade de tocar e até hoje considero o álbum o melhor da história do Heavy Metal e Clive Burr se tornou minha inspiração, que descanse em paz.


HMB: A sonoridade do Mr. Fear tem uma aura toda oitentista, isso se deve as influências de todos da banda?
João: Isso mesmo, todos da banda temos influencias, iguais e diferentes ao mesmo tempo. Todos nós gostamos do Heavy Metal oitentista, e esse é o som que queremos que a banda passe para as outras pessoas! Dizem que soamos que nem o Judas Priest, isso é um grande elogio.

HMB: E como é o cenário da música pesada em Nova Trento?
João: Nova Trento é uma cidade muito pequena de Santa Catarina e se falarmos de música pesada existem duas bandas na cidade ativas, o Mr. Fear e Wearblack, ambas de Heavy Metal, mas isso não me impediu de trazer as bandas e fazer os eventos acontecerem e até hoje ainda faço, mas agora com eventos menores!

HMB: Fale sobre os eventos que você organiza.
João: Organizar eventos é algo muito bom, porque não importa o que aconteça você está difundindo a amizade, esta dando oportunidade as bandas, sempre valorizei as bandas nacionais, se me pedirem dez bandas de que mais gosto metade é nacional, tive o privilegio em trazer o Metal para minha cidade, algo nunca antes imaginado, me chamaram de louco por fazer eventos de Metal na minha cidade, ainda mais quando o Trento From Hell evoluiu para um evento Open Air de dois dias, a amizade construída entre as bandas e todas as pessoas que você consegue se aproximar no evento, é algo que para mim vale tudo. Organizar tem seus contras, como prejuízo, mas eles são sempre inferiores às conquistas, eu já levei muitos e um deles custou minha bateria, quem me acompanhou se lembra, e sabe que fiquei um ano sem bateria para pagar as bandas.  Como eu sempre digo: jamais deixarei uma banda na mão sobre o combinado, sempre priorizei o som, iluminação e palco em geral. Hoje o evento não acontece, por não ter um local para recebê-lo, um dia pretendo reativar o Trento From Hell.
Hoje em dia, estou vivendo em meio a algumas panelinhas ridículas de bandas, se você não é da panelinha você não é do Metal, não é Headbanger você não tem direto de usar um colete com patchs e etc. Esse público do Metal me dá nojo, porque na maioria, os trues, que vieram com bobagens pra cima, viraram evangélicos, ou cortaram o cabelo, e venderam seus LPs pra comprar suplemento alimentar pra academia, o que tem mais é falador e criador de inimizade no Metal, gente de fofoquinha!

HMB: E o que você acha de estes mesmos detratores se valerem do anonimato da Internet para depreciar o trabalho ou a arte de alguém?
João: Acho que na Internet a gente não vê muito, isso acontece pelas costas, mas eles são poucos, o problema é que falam demais!


HMB: E como era o comparecimento do público aos seus eventos?
João: Era massa, sempre vendo vários rostos novos e outros que já eram velhos conhecidos, mas eu acho que a grandeza de público não é o alvo e sim, quantos guardaram o momento e o aproveitaram, sempre tive um público bom nos eventos, mas poderia ter sido melhor, talvez isso não tivesse feito o Trento From Hell parar as edições! Mas existem muitos outros eventos ótimos em Santa Catarina, onde o publico é igual ou maior e lá estão os velhos rostos de novo, seja no Otacílio Rock Festival, no River Rock Festival ou no Zoombie Ritual. Só os fracos somem pra sempre!

HMB: O Zoombie Ritual é um ótimo exemplo de dedicação e perseverança. Você acredita que fazer o cenário da música pesada girar é sempre aliado há muito trabalho duro?
João: O Zoombie Ritual é o evento que faltava, não só em Santa Catarina, mas no Brasil e na América Latina toda, porque além das bandas de Santa Catarina, tocam bandas do Brasil, da América Latina e também bandas da Europa e EUA,  o massa é que o projeto é uma ideia do organizador Juliano Ramalho para homenagear o Chuck Schuldiner do Death que morreu no dia 13 de dezembro, época que acontece o evento, ou seja, o evento é dele e ele bota as bandas que ele quer, tem muita gente que acha que pode mandar no organizador, por isso o evento é mais extremo, eu sinto mais falta de bandas de Heavy no evento, mas fora isso o evento é fenomenal é algo muito batalhado, deve só crescer! Alias todas as pessoas que se metem em fazer eventos ou qualquer coisa em prol do que acredita está ajudando e fazendo sua parte e todo mundo tem que lembrar que ninguém veio para agradar a todos, mais a ajuda é bem vinda sempre.

HMB: O que você pensa da união de estilos diferentes, visando fortalecer o cenário?
João: Eu acho massa, sempre diversifiquei as bandas nos meus eventos, gosto da ideia das tribos do River Rock, união das tribos Punk, Rock, Metal, HC, Hard Rock, etc. Mas isso não impede um evento de puxar mais pra um estilo, mas como eu disse, a ideia é do organizador, ele que manda!

HMB: Mas ao mesmo tempo, o produtor também tem que ver o que o público pede, Quais são as subdivisões do Heavy Metal que mais atraiam público nos seus eventos?
João: Sim, todo mundo pode dar dicas e apresentar bandas, mas o que eu digo é que a palavra final é dele, afinal ele vai arcar com todas as consequências do evento no geral Para mim um fest completo tem Heavy, Thrash, Death e Black, mas tem uns eventos que são puxados ou totalmente de um estilo só, mais isso depende da proposta do evento!


HMB: Mas se houver a diversificação dos estilos do Heavy Metal, dentro de um mesmo evento, não seria mais abrangente e consequentemente, traria mais público?
João: Sim, é são os eventos que mais gosto de ir, mas tem eventos específicos de cada estilo que também são muito massa!

HMB: Resuma João Vormehlen Júnior  em uma palavra ou frase.
João: Frase sobre mim, eu não desisto!

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
João: A mensagem para os leitores é o refrão do single da Mr. Fear - Heavy Metal: O Heavy Metal nasceu para todos, mas nem todos nasceram para o metal! Abraço obrigado pelo espaço, estamos ai!