terça-feira, 1 de abril de 2014

Prika Amaral, a força por trás da fragilidade

 Prika Amaral é assim, vai direto ao assunto e não arreda o pé nem dos assuntos mais chatos! Encabeçando umas das mais promissoras bandas de Thrash Metal da atualidade essa bragantina,  loiríssima e muito bem resolvida na vida, nos deu essa entrevista espetacular, onde expõe, sem medo de errar, sua forma de ver e pensar o mundo. Confira!!!!




HM Breakdown: Antes de tudo, obrigado pelo seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, nos fale sobre você, suas atividades e em como você se tornou guitarrista
Prika Amaral: Eu toco guitarra na banda Nervosa, atualmente estamos lançando o nosso CD de estréia  "Victim of Yourself" e iniciando uma turnê para promover esse disco, nossa perspectiva é tocar no Brasil todo, Europa, América do Sul e EUA ainda esse ano.
Comecei a tocar guitarra com 14 anos e fazem 14 anos que toco guitarra. Meu pai toca viola caipira e meu avô tocava violão na rádio nos anos 60, acho que nasci para ser musicista de cordas, e como minha mãe é do Classic Rock, misturou-se tudo, e aí que eu surgi assim, guitarrista de Metal!

HMB: Você concorda que numa família onde a música faz parte do dia a dia, a possibilidade de alguns deles se tornarem profissionais é maior do que em outras famílias? O que você acha necessário para que o aprendizado musical seja mais abrangente para as pessoas que não tem essa ligação?
Prika: Com certeza, principalmente quando somos crianças, pois a criança é educada pelos pais, e logo é influenciada por eles. Em minha opinião, se existisse aula de música nas escolas públicas a mediocridade da música brasileira iria diminuir bastante, pelo menos teríamos bons músicos, e quando digo bons músicos estou me referindo que pelo menos o estilo funk carioca tivesse instrumentos ao invés de uma batida barata eletrônica, horrivelmente mal feita, talvez assim, quem sabe, poderíamos começar a chamar de música.
Música é terapia, exercita o cérebro, é cultura, enriquece a alma, é arte e é vida. Pra mim aula de música é muito mais importante do que uma aula química, por exemplo, tudo o que eu aprendi de química não serviu pra nada, essa aula é importante para uma faculdade onde necessite, não para um ensino fundamental ou médio, a música sim, vai enriquecer e trazer alguma coisa para a vida.



HMB: O que você pensa da cena musical brasileira??
Prika: O Brasil sem dúvida alguma tem uma cena riquíssima, com muitas bandas ótimas, sempre em entrevistas de outros países, sempre perguntam sobre as bandas daqui e a cena. Nós temos um potencial magnifico e não é a toa que está chovendo shows de bandas gringas por aqui, e o mais legal é ver que a cena brasileira está se descentralizando, ou seja, saindo um pouco de São Paulo. Agora é comum vermos shows gringos pelo país todo, isso é demais. Esse negócio de desunião é besteira, isso existe no mundo inteiro e a cena acontece. O que fode com a nossa cena é a porcaria do nosso governo, onde tudo se torna inviável devido aos preços, tudo é uma questão de que aqui o governo rouba e quem paga somos nós, os impostos mais caros do mundo e os juros mais abusivos, isso implica diretamente no preço de tudo.
Existem muitos produtores sérios e bons, é só não se sujeitar a porcarias que elas deixam de existir, ou seja, enquanto existirem bandas que aceitam pagar pra tocar vendendo uma cota de ingresso, sempre existirão produtores propondo esses absurdos. Faltam casas de show porque é caro manter, e é caro manter porque os impostos são absurdos e tudo mais, mas tudo se resume na economia brasileira onde o governo impõe o roubo e o brasileiro assina embaixo e ainda fica devendo. O público precisa valorizar um pouco mais o que tem, porque temos coisas ótimas e os gringos pagam muito pau pra gente lá fora.

HMB: Concordo plenamente com você. Sua banda hoje, esta alcançando status de grande banda, Vocês conseguiram mostrar que, com trabalho duro e muita vontade, é possível conquistar seu espaço e valorizar sua música. Você acredita que as pessoas podem seguir este exemplo, ou ainda é difícil para as bandas brasileiras darem passos maiores?
Prika: O único limite é você mesmo, como o titulo do nosso disco "Victim of Yourself", e é isso você é vitima de si mesmo, o que você plantar você vai colher. As pessoas falam que conseguimos as coisas fáceis porque somos mulheres, mas não foi isso que fez a gente conquistar as coisas, mesmo porque existem muitas bandas de mulheres. O que ninguém sabe é que abrimos mão de tudo, eu e a Fernanda Lira largamos a faculdade pra nos dedicar a banda, eme afastei da família que mora em outra cidade, abandonei um ótimo emprego pra trabalhar em uma empresa ruim e que paga mal, só pela flexibilidade de horários, porque tudo é pela banda, corremos atrás e tentamos fazer tudo o mais profissional possível. Eu acho que tudo depende do tamanho do seu esforço e de sua dedicação, tudo depende do seu capricho e cuidado em fazer um bom trabalho, ninguém gosta de coisa mal gravada em qualquer estúdio e de um CD com qualquer capa, hoje em dia é tão fácil fazer as coisas direito, que é inaceitável algo mal feito.
Ninguém vai dar patrocínio para uma banda que não tem no mínimo um site, as pessoas não enxergam as possibilidades e oportunidades, ter uma banda é como uma empresa, tem que saber administrar tanto financeiramente como administrar a imagem, e imagem eu digo é a impressão que você passa aos outros.



HMB: Como você vê a cena da música pesada hoje? E, tem alguma coisa que na sua opinião seja relevante para a cena hoje???
Prika: O pessoal tem mania de ficar reclamando que o metal é sempre o mesmo, que não surge mais nada de novo, e tudo mais, mas pra mim se quer ouvir novidade vai curtir lepo lepo, porque isso é novidade, se você gosta de metal você vai curtir o mesmo pra sempre, se mudar estraga, bandas muito modernas não viram, tem um pequeno sucesso mas não sobrevivem, então esse negócio de querer coisa nova e diferente pra mim é coisa de quem está cansado de curtir metal/rock, por exemplo: eu vou ouvir Raining Blood pra sempre e vou gostar das bandas novas que são influencias por isso. Tem uma parte do público que se sente entediado, principalmente as pessoas que vivem em cidades grandes, é uma síndrome comum hoje em dia, eu vejo tantas bandas boas, como por exemplos algumas nacionais que estão dando o que falar tanto aqui no Brasil quanto lá fora: Krow, Lacerated and Canbonized, Vocífera, Leatherfaces, Necromesis, Voodoo Priest, etc... São bandas novas que são totalmente profissionais e são ótimas! Hoje em dia as coisas estão muito mais a nosso favor, porque antes os contatos eram feitos por carta, porque as ligações eram caras, principalmente interurbanos, e ligações internacionais então, era impossível, troca de material era só pelo Correio, tudo acontecia mais lentamente e, sem contar no acesso aos instrumentos, que eram hiper caros e os que tinham no Brasil não eram marcas tão boas e era necessário importar muitas coisas, então hoje é tudo muito fácil, conseguimos falar com pessoas do mundo inteiro da mesma maneira que falamos com os nossos vizinhos, amigos e parentes, o mundo ficou mais próximo, e o acesso a tudo ficou fácil demais, o que mudou foi o humor das pessoas, que ficaram chatas e entediadas, mas eu sinto a cena como um todo não só no Brasil como no mundo também, se fortalecendo e aprendendo a se adaptar as condições atuais, vejo um bom futuro, estamos crescendo, isso é o que importa!

HMB: E com a internet os contatos ficaram muito fáceis, você consegue ver a sua vida ou o seu trabalho sem estar conectado e principalmente, nas redes sociais?
Prika: O ser humano foi feito para se adaptar a qualquer tipo de situação, então não existe essa de não conseguir viver sem, as redes sociais são importantes pra quem tem banda ou pra quem tem uma empresa, é o melhor meio de divulgação hoje em dia, porque todo mundo está conectado o tempo todo, no caso de bandas é essencial, porque se a banda não está na internet ela não existe, eu encaro como uma boa ferramenta, é só saber usar, porque tem banda que quer enfiar goela abaixo, e não é assim que funciona, isso afasta as pessoas, as nossas vidas conseguem prosseguir sem as redes sociais, mesmo porque há poucos anos atrás isso tudo não existia e a gente vivia, eu acho incrível, porque as redes sociais deram as pessoas um nível de divulgação de liberdade de expressão individual incrível, e as pessoas se revelam muito, é uma diversidade de comportamentos, 98% não sabe usar as redes sociais ao seu favor, mas todos estão aprendendo pois a velocidade das novidades tecnologias são extremamente rápidas, tudo fica obsoleto bem rapidamente. Tudo está ao nosso favor, basta as pessoas entenderem isso e aprender a usar.



HMB: Planos para o futuro?
Prika: Tocar no mundo inteiro, conhecer muitos lugares, viajar muito, divulgar o nosso trabalho, melhorar e crescer, gravar muitos CDs, evoluir, conhecer e aprender.

HMB: Resuma Prika Amaral em uma frase.
Prika: Sinceridade verdadeiramente nervosa!

HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Prika: Primeiramente obrigada pela entrevista, foi muito legal, parabéns pelo seu trabalho, tanto com os blogs e tudo o que faz, com suas bandas, sempre presente e atuante, Yekun é foda e tem futuro. Aí vai o meu recado: Respeitem todas as bandas, mesmo que você não goste, pois toda banda teve uma dedicação, um trabalho duro, mesmo que seja mal feito, pode ter certeza que envolveu escolhas e tempo dedicado, só por isso já merece respeito, aprendam a lidar com a diferença de gostos, o que você não gosta o outro gosta, e é assim pra tudo nessa vida.

4 comentários:

  1. Eu conheço a Prika e ela é guerreira.
    Tudo que vem colhendo com a Nervosa é por merecimento.
    Parabéns pela entrevista, muito verdeira.

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