Diego Nogueira Sábio, caiçara, baixista da banda Blasthrash,
um batalhador nato, sempre em busca de seus sonhos, lutou e se tornou, também, o
vocalista de um dos nossos maiores ícones, o Anthares. E que agora causa
ansiedade da população metálica, que aguarda pelo lançamento do segundo álbum
da carreira da banda, chamado “O Caos da Razão”. Confira nesse bate papo um
pouco da personalidade e do carisma deste verdadeiro Headbanger! A seguir:
HM Breakdown: Antes de começarmos, obrigado pelo
seu tempo e por nos dar o privilégio dessa conversa. Agora, fale-nos sobre você
e suas atividades.
Diego Nogueira Sábio: Eu que agradeço pelo espaço, e pela
oportunidade! Bem, além de ser baixista do Blasthrash há 14 anos, também sou
vocalista do Anthares, desde 2008. E após o lançamento dos novos materiais das
duas bandas, vou tocar mais dois novos projetos, de estilos diferentes ao que
toco atualmente. Um de Death Metal, e um de Doom Metal.
HMB: Fale-nos de como você se envolveu com a música,
especialmente com o Heavy Metal.
Diego: Envolvi-me com a música com doze anos, quando morava
na Praia Grande, Litoral de São Paulo. Minha família sempre teve essa veia
musical, pois meus tios sempre tocaram Violão, sanfona, e faziam Rodas de
Viola, tocando Musica Sertaneja.
Quando meus primos e eu, começamos a nos interessar, fomos
incentivados por todos. E acabei caindo para o Rock por influência de um dos
nossos primos, que já tocava, e gostava de Rock e Heavy Metal. Inclusive, minha
primeira guitarra, foi presente desse meu primo, o Thiago.
Ai, o Programa Fúria Metal na MTV, e as trocas de Fitas K7,
foram cruciais na minha formação musical. Depois disso entrei de cabeça, e não
sai mais. Entrei no Blasthrash, na época, com 16 anos.
Dois dos meus primos, Diogo Costa, e Thiago Pacheco,
integraram bandas de Thrash Metal do Litoral de São Paulo, o Predatory e o
Vetor.
HMB: Como surgiu o convite e como você se sentiu indo cantar
no Anthares, afinal você é baixista?
Diego: O Convite para o Anthares foi bem inusitado. Eu
estava num show do Infected, no M868, e sempre quando eles tocavam um cover do
MX, eu cantava, mas nesse dia o Mauricio do Anthares estava lá.
Uns dias depois, o Mauricio me mandou um e-mail me
convidando para um teste. Eu respondi falando que acharia massa tocar baixo na
Banda, e ele respondeu que era para cantar, pois tinha me visto naquele dia no
M868, e tinha curtido.
Fiz o show com eles, com apenas três ensaios, e com as
letras no chão. Foi foda! E quando fui ver, eles tinham me efetivado na banda.
HMB: E convenhamos, de todos que passaram por lá, com da
exceção de Henrique Poço, você foi o vocalista que mais caracterizou a banda,
além de ser o que mais contribuiu para que o Anthares voltasse à cena. O que
você pensa disso?
Diego: Pow! Muito obrigado man, fico feliz com o seu
comentário (risos). Eu até hoje falo pra quem quiser ouvir: Eu virei vocalista,
e isso foi com o tempo e ajuda dos meus companheiros de banda, pois com a ajuda
e paciência deles, que consegui fazer o trabalho que faço até hoje.
Acho que a minha parte de contribuição, foi conversando com
eles, e colocando essa consciência Underground neles, pois fora o Junior, que
continuou tocando após a primeira vez que a banda parou, os outros estavam
parados, e perderam um pouco a noção da realidade do que rolava na cena. Isso
foi importante com certeza, pois senão a banda ficaria vivendo do passado para
sempre, e deixei claro para eles, desde o primeiro momento que entrei na banda,
que não queria isso.
HMB: E sendo assim, o que você acha que mudou e como você vê
o cenário Heavy Metal hoje?
Diego: Olha Man, o que eu posso dizer, que não muda, é a
precariedade, de algumas casas de shows, e da falta de compromisso de alguns
Organizadores de eventos. Mas Tem muito cara que é guerreiro, e tem muito cara
metendo a cara e fazendo shows em suas cidades, para ver a cena se movimentar, isso
é louvável!
E estamos numa época que as mídias digitais estão em baixa,
mas o nosso publico, segue o contrario disso, pois sempre vendemos
merchandising nas cidades que onde tocamos. A diferença, é que hoje em dia vendemos
mais camisetas do que CDs (risos).
Mas não gosto desse lance das bandas não Gravarem mais
demos. As bandas de hoje em dia estão muito apressadinhas, querem sair gravando
EPs, ou discos, com pouco tempo de banda, isso resulta em Materiais de
qualidade duvidosa e mal gravados, na execução de instrumentos. Esse é um
detalhe que acho relevante, e muitas das bandas não se liga.
Enfim, tem muita coisa, é papo pra horas (risos).
HMB: Você acha que a quantidade de músicos e
consequentemente de bandas contribui para o esvaziamento dos shows, uma vez que
o brasileiro tem a tendência de não prestigiar a concorrência?
Diego: Acho que não. Na real, são dois assuntos diferentes.
Os shows andam vazios, porque culturalmente, a galera está
preferindo outros meios de tecnologia, para ver as bandas, como ouvir discos ao
vivo, e ver shows completos no You tube, e sim, isso já está se aplicando as
bandas underground.
Mas isso se aplica mais as grandes metrópoles, onde há uma
quantidade maior de shows, e de bandas. Quando Toco 100 km fora de São Paulo,
já sinto essa diferença no publico. Que comparece em peso aos shows, compra merchandising,
e apoia as bandas.
Esse detalhe do Brasileiro não prestigiar a concorrência, na
real, vai do grau de "Dor de Cotovelo", de cada um. Nego não prestigia
quem ele inveja. Isso é uma puta de uma bobagem. Infelizmente, a cena
underground e toda dividida, e isso é muito triste, pois se não tivesse tanta
dor de cotovelo, tanto "mimimi", as coisas estariam muito melhores
para todos.
HMB: Será que este é um mal da metrópole, onde o povo esgota
as energias só de ir trabalhar e voltar? Você vê alguma solução para essa
situação?
Diego: Não acho que seja necessariamente o que você citou,
mas o fator metrópole conta em situações. Temos dias, que tem 4, 5 eventos
rolando ao mesmo tempo. Mas eu acho que isso é um Mal da galera de São Paulo, e
às vezes, mesmo tendo um monte de lugares para ir, não vai há lugar algum,
saca? Ai quando as bandas acabam, ficam choramingando, e se perguntando, porque
algumas bandas acabam...
Se você não tem um bom leque de contatos, e só depende de
tocar na Sua cidade, uma hora você desanima, pois você não tem o parâmetro do
contato com outros públicos. Tem que meter a cara, e sair pegando a estrada, e
Tocando por ai. Acho que para as bandas, essa é a solução.
Agora para o Publico, sinceramente, vai do gosto de cada um.
Não condeno não aquela galera que só gosta de banda gringa. Se o cara quer ir, apenas
em shows de bandas covers, ou de bandas gringas, é direito dele. Eu condeno
nego que eu vejo falar que curte as bandas brasileiras, e nunca vejo nos shows.
E isso vale para os membros de algumas das bandas brasileiras também...
HMB: O que você acha da criação de um coletivo de bandas
autorais, no intuito de organizarem os próprios shows? Claro, tem que se ter o
cuidado de não criar mais uma panela e sim, dar oportunidades iguais para
todos.
Diego: Olha, na real, se você for pensar, há muito tempo que
existem esses coletivos, pois, existem muitos eventos que são organizados pelas
próprias bandas. Alguns dos exemplos maiores são os Executer Fest e o Panzer
Fest realizados pelas próprias bandas. Eu Organizei junto com os Caras do
D.E.R. e do Bandanos a ultima edição da Night of the Living Thrashers, enfim, existem
muitos pequenos festivais.
Para o Sucesso de um coletivo, o mais importante é o
envolvimento das pessoas envolvidas. Nesse lado, eu bato palmas para o pessoal
do cenário Hardcore. Frequentei por anos, um evento chamado
"Verdurada", que é organizado por um coletivo, e nesse evento, além
de bandas de Hardcore, muitas bandas de Metal já tocaram nele, como nós do Blasthrash,
o Andralls, Bywar, Subtera e o Violator. Nesse evento, além da venda de
material, havia palestras sobre temas diversos, exibição de documentários, e
Distribuição de Comida vegana.
Agora a minha pergunta é: Será que a galera do Metal
conseguiria fazer algo dessa forma? Sem virar Panela, eu acho bem difícil...
O mais próximo que estou sabendo no momento, é da Galera das
bandas Sinala, Zn Terror e Sarah, Que meio que se organizaram para
excursionarem juntas, e diminuírem os custos de viagem. Achei muito massa.
HMB: Então você acha que tem que haver essa união e também
haver a democracia para que outras bandas se beneficiem disso... Ou fica um
tanto complicado ir agregando bandas nesse tipo de coletivo, já que, sendo
muitas, várias não irão tocar em todos os eventos?
Diego: Com certeza tem que ter união. Mais união, e menos vaidade.
Precisamos de uma cena, onde as bandas queiram tocar, não de bandas nas quais,
seus membros só queiram se aparecer para os outros em redes sociais, ou para
sei lá quem seja. Mas a ultima coisa que pensam, é tocar. Isso me irrita
profundamente. Se você que está lendo isso, e se encaixa nesse perfil, saiba
que te acho um bosta!
Num coletivo, o cara que tem a banda dele a quinze anos, cinco
discos lançados, e viajou o mundo todo, vai tocar num dia, e vai segurar
pedestal, enrolar cabo, e devolver baqueta para o batera, de uma banda que tem três
anos, e nenhum disco gravado, entende? Se esse cara tem esse tipo de
comprometimento, ele serve para estar num coletivo. Senão, esqueça!
Lembro-me de meus amigos do Rio de Janeiro, capitaneados
pelo Vitor Whipstriker, do Farscape, que tem uma proposta de coletivo
maneiraço, o fest se chama Noise As Fuck. E nesses eventos, tem um cofrinho, no
qual juntam a grana desse evento, serve para bancar o evento posterior. A mesma ideia era usada por um coletivo, dos
nossos amigos do Paraguai. O Coletivo deles se Chamava Almas de Acero, e lembro
que o dinheiro que eles arrecadaram com a ida do Bywar, para o Paraguaí, eles
usaram para pagar as passagens do Blasthrash, para que tocássemos lá.
HMB: E quais foram às diferenças, ou semelhanças que você
percebeu no Headbanger paraguaio?
Diego: Bem, o Headbanger Paraguaio não é muito diferente do
Brasileiro, pois as dificuldades sociais são basicamente as mesmas, e a válvula
de escape deles, é durante os shows. É fato também, que eles são muito
calorosos, e agitam MUITO. Já tem 10 anos que o Blasthrash tocou em Asuncion, e
não me esqueço dessa experiência. Foi foda demais.
MB: Como você se sentiu dividindo o palco com o vocalista
original do Anthares?
Diego: Para mim é sempre animal, dividir o palco com ele.
Quem já teve a oportunidade de estar com o Henrique, sabe a pessoa sensacional
que ele é, e ele não é uma lenda à toa. Não esqueçam que eu sou só um
"moleque", que saiu de lá do meio da galera, e subiu ao palco, para
estar com a banda. Ainda existe muita comparação da parte dos fãs do Anthares,
entre eu e o Henrique, e se eu fosse um cara babaca, iria me sentir incomodado.
Mas o legal, é que tenho a aprovação dele, e nossa relação sempre foi ótima.
HMB: Planos para o futuro?
Diego: Atualmente, meus focos musicais são:
Terminar a gravação do disco do Anthares, pois estamos
malucos para lançar o disco. Mas está programado, para ser lançado após a 2º
metade desse ano.
Lançar logo o Split Blasthrash/Fastkill, que se enrolou,
devido a problemas pessoais dos membros do Fastkill, mas já se encontra em
processo de masterização no Japão. Também será lançado após a 2º metade desse
ano.
Em 2015, lançar o 3º disco do Blasthrash.
Gravar, e lançar os discos dos meus novos projetos, o de
Death Metal, e o de Doom Metal.
HMB: Resuma Diego Nogueira Sábio em uma frase ou palavra.
Diego: O Caiçara teimoso, que não se cansa de sonhar.
HMB: Obrigado pelo seu tempo e por nos proporcionar este
belo bate-papo, deixe aqui uma mensagem para os nossos leitores.
Diego: Obrigado Pelo espaço! Para galera que está lendo essa
entrevista, obrigado a vocês também, e lembrem-se: Compareçam aos shows,
comprem CDs, camisetas, patchs das bandas, organizem shows, escrevam zines,
ajudem a cena a se movimentar, pois manter a cena Underground viva, só depende
de nós. Você é um Banger velho? Incentive os mais novos, pois a cena precisa de
renovação. Você é um Banger mais novo? Preocupe-se menos com a quantidade de
patches no seu colete, e mexa o traseiro, para fazer algo pela cena da sua
cidade. A Todos: Menos chororô, mais ação! Abração a todos!
Grande Diegão!
ResponderExcluirMuito bacana a entrevista!